Depois de uma viagem atribulada, pelo esquecimento do meu passaporte, porque eu tenho aquela mania que todos os países da velhinha Europa Oriental já pertencem "aquilo" que se chama de UE, mas não.
O meu hotel é sempre o mesmo, o Seven Hills, geralmente está sempre cheio, parece um encontro de culturas, gente de todo lado. Aqui, cheira a oriente, e a Europa é já ali, é só atravessar o Bósforo. Francamente turística, Istambul é recheada de histórias, contos de fadas, de amores fatais, de evasões bárbaras, é um melting pot de gentio. Estou no sitio certo...tudo pode acontecer, até um atentado.
Fui surpreendido pelas juras de amor eterno de um jovem casal, em lua de mel, numa dessas noites, aqui no hotel onde estou por breves dias.
Eu estava sentado num dos sofás individuais que o bar dispõe e na minha frente, sentados também,o casal deliciava-se com shots de Raki, um cocktail alcoólico muito típico neste país.
O casal nunca se "prendeu" em palavras ou gestos por minha causa, e penso, pelo facto de estar a ler o Le Monde, diário francês que eu aprecio, estarem tão bem relaxados na sua pronúncia inglesa pura como se comunicavam.
Enquanto ele passava a sua mão pelos cabelos da sua amada, ela devolvia o seu gesto beijando o seu pescoço de uma maneira laivosa. Os espelhos do bar davam o toque final aquela cena.
Fiquei com uma inveja do menino que tem uma bola nova de futebol e o outro não.
Fiquei feliz de ouvir estas palavras da boca da mulher ao seu noivo : Abraça-me até ao Sol da Manhã!
Bebi o resto do meu café, dobrei o jornal e fui deitar-me.
Há momentos que valem a pena. Adoro ver gente feliz, e fico feliz por isso, afinal, ainda há uma réstia de esperança neste mundo.
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