Eu guardo tudo para o fim. Tenho pavor a hospitais, não gosto de tomar medicamentos. Mas a dor intensa obrigou-me a ir a um especialista. Um conhecido da família, daqueles que se tratam por TU.
Estando no estrangeiro, esta foi provavelmente a melhor alternativa. Não há filas, não há listas de espera, os testes são feitos na hora...e a conta no final também é grande.
Lembro-me dos primeiros sintomas, pensava que era normal, mas a minha performence foi das melhores que eu tive. Foi mesmo. Por isso pensei mesmo que seria normal.
Os anos foram passando, e de vez em quando tinha dores horríveis, lembro-me de um dia em plena formação profissional, onde era monitor, tive de finalizar a acção e mandar os meus formandos para casa. Rebolei pela sala dentro, parecia que tinha o demónio no corpo.
Chegou o dia da primeira consulta, e lá fui eu ao sitio do costume, já conheço infelizmente os cantos à casa.
Dias antes tinha feito análises a tudo, uma bateria de testes como eu nunca tinha sido sujeito.
Quando cheguei ao gabinete médico, os meus exames já tinham sido analisados.
Eu estava sentado e olhámos um para o outro de frente, ele perguntou a minha idade, eu disse, 45.
Perguntou-me se eu era casado, eu disse que não. Perguntou-me se tinha companheira , eu disse que não. Depois fez uma pergunta relacionada, para mim foi estranha, mas hoje percebo a razão da qual. Não interessa muito para esta parte.
- Tens aqui uma coisita...
Eu não gosto de meias palavras, principalmente neste tipo de consulta. E fui directo à questão. É grave? sim ou não?
Ao que ele respondeu que era grave, tratável, mas, eu teria que fazer um esforço para vencer aquilo que eu não sabia o que era.
O médico explicou-me como seriam as minhas próximas horas, os meus próximos dias. Eu não achei muita piada aquilo...e estivemos mais de duas horas dentro do gabinete.
Fiz um tratamento rápido de duas semanas no IPO, e só tinha mais uma semana de férias. Seriam decisivas para a minha viagem de regresso ou não. O meu trabalho estava em risco, mas na altura pouco pensava em trabalho.
Ia e vinha duas vezes por dia fazer tratamento, fiz acupuntura, e fiz uma dieta diabólica, perdi algum peso, normal,nestas situações. O meu corpo mesmo assim parecia uma bola, os corticóides, e a HPB fizeram de mim o mais belo e mais perfeito boneco da Michelin.
(...)
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