O miudo era esguio, sardento, de calções rotos e os chinelos de cor lilás faziam o modelito do menino mal amado da aldeia Velha da Ponte.
A Maria Nunca era a alcunha da mãe, meretriz de "profissão", viveu a sua vida de estrada em estrada.
De pai incerto, o miudo sardento, esguio, foi à escola e lá mostrou tudo aquilo que era capaz.
Sabia os nomes dos países mais longínquos, sabia os nomes das Capitais, fazia as contas como um mestre, e sabia nomes de rios desse planeta que chamamos Terra.
Era uma lufada de ar fresco naquele lugar, onde miseravelmente se aponta o dedo por tudo e por nada. Era o filho de uma puta da estrada. Contudo, era o mais inteligente de todos os alunos daquela aldeia serrana perdida no tempo, gente da terra e do tempo, gente dura, sem educação, uma lugar perdido.
Havia apenas um aotomóvel e era um taxi, ir ao médico era à vez. A vida era dificil naquela aldeia, dizia-se que Deus nunca tinha passado por ali.
O menino mais feio da aldeia, segundo todos, sem excepção, por ser filho de puta assumida, era sonhador, vivaço, espertalhão...tinha sonhos, mas desde muito cedo também percebeu o que era ser filho de alguém sem estatuto e de pai incógnito. Todsos os dias subia ao monte só para ver o pôr-do-Sol, nunca saberemos o que correria naqueles pensamentos de menino.
Inês era filha de um mineiro da aldeia, bonita, de olhinhos verdes, tal como a mãe, fez-se amiga do menino sardento e esguio por ter pena dele. Brincaram juntos, passearam juntos, mas não passaram daí...Inês tinha pena do menino que ninguèm dava importância por ser filho de quem era. A vida pode ser madrasta, na maioria das vezes, não escolhe as suas vitimas.
Inês fazia umas pulseiras de Junco, uma erva que nasce próximas dos ribeiros que quando seco tem uma resistência formidável.
No décimo aniversário do miudo sardento e esguio, Inês fez-lhe uma pulseira especial de Junco, e ofereceu-a como presente de aniversário. O menino sorriu, e fez um esforço para não deixar escorrer uma lágrima. Era o seu presente, o único que tivera, ainda por mais, feita pela menina mais bonita da aldeia.
O menino esguio, sardento, cresceu e fez-se rapaz adulto. Fez a escola até ao fim, com algum sacrificio da mãe retirada das andanças das velhas estradas nacionais, o local do seu "emprego".
Nunca mais ninguém perguntou pelo menino esguio e sardento, onde estava, o que fazia para colocar pão na mesa.
A aldeia mantem-se , com menos habitantes, alguns por lá ficaram, são pedreiros, pastores e agricultores. A velha mina encerrou, há muito tempo.
No outro dia, houve uma derrocada na serra, um homem sucumbiu ao peso mortal da rocha, outro gravemente ferido foi evacuado a muito custo pelo velhinho taxista da aldeia, quase cego, ainda via a estrada. Demorou uma vida até ao chegar ao hospital.
A familia do acidentado apareceu em numero no hospital ávidos por saber pelas novas do seu ente querido.
Uma enfermeira veio até à sala de espera para explicar o desenvolvimento daquela intervenção cirurgica muito complicada.
Algumas horas depois, o cirurgião saíu apressado passando por aquele gentio onde também se encontrava Inês, a menina dos olhos verdes, agora mulher adulta.
O cirurgião olhou para ela e endereçou-lhe um esboço do seu melhor sorriso, e enquanto seguia pelo corredor arregaçou a sua camisa deixando descair uma pulseira feita de Junco.
Inês deu conta daquele artefacto, igual aquelas pulseiras que só ela sabia fazer.
Olhou de novo para o médico cirurgião que fugia da sua vista, um homem sardento e esguio.
quarta-feira, 1 de março de 2017
domingo, 26 de fevereiro de 2017
o dia em que nasceste
Comtemplo este Sol, que é meu, é teu, é de todos no mundo, eu sinto a falta dele todos os dias.
De vez em quando apareces mas depois vais até onde eu não posso ver-te.
Mas eu não quero fazer aqui apologia do pertence , o Sol não é meu como já disse, ele quando nasce é para todos.
Esta foto foi roubada mesmo agora de um blogue que eu sigo religiosamente.
A autora deste sol, tem a classe da visão do simples que depois a transforma em grande, grande para as podermos ler, coisas simples que ninguém olha ou sente.
Molda como o barro do oleiro e transforma em algo util, não são objectos, mas palavras que redondam a alma, inspiram sorrisos, emanam suspiros, saudades de muitos, e muitas que leem as linhas escritas pernoitam na sua longura. Estou longe, muito longe de transformar (também) as minhas palavras escritas, em pensamentos momentâneos, sorrisos breves, emoções in praesentia.
Agora que é noite e eu hoje não vi o sol lá fora, vi este, e roubeio, como um bom gang de caixas de multibanco.
Estou ávido de Sol, não o tenho comigo, mas foi bom ver este , e serviu-me muito bem.
Boa noite, porque amanhã é um dia importante.
PS : À autora desta foto, se um dia ler este post peço desculpa pelo roubo, precisava dela para as minhas palavras escritas. É lindo...!!!
sábado, 25 de fevereiro de 2017
amo-te, porque sim...
- Amo-te ! Disse- te.
- De que maneira?! Perguntáste-me.
- Amo-te...simplesmente. Respondi.
- Sim...mas como me amas?! Perguntáste-me de novo.
Eu fiquei ali a pensar numa maneira "util" de te dizer a melhor maneira de como te amava.
Tu esperavas a minha resposta com esses teus olhos lindos, claros, fazedores de sonhos- tu descontrolávas-me de tal forma, as palavras não saíam, os significados eram silenciados pela tua presença. Tu desencadeavas revoluções dentro de mim, apetecia-me bater-te, encostar a uma parede e beijar-te até perderes o folego. Nunca fiz isso, com pena minha, mas avontade ficou e ainda vide dentro de mim essa imagem selvagem entre eu e tu.
- Então? Pergutaste.
- O que queres que eu te diga?! gosto de ti ...pronto!
- Gostas?! ou amas-me...é que são coisas tão diferentes. Disseste.
- Sim...é verdade! tens razão. Eu amo-te, muito! Respondi.
- Não precisas do "muito" para nada, saber que me amas é-me suficiente.
Continuámos na nossa lenga lenga como se uma batalha se tratasse, sim, porque eu levo estes assuntos muito a sério. Sempre...
Eu agarrei a tua mão e tu apertaste-a com os teus dedos entre os meus, arrepiei-me de felicidade, e eu não conseguia transmitir isso. Revoltei-me por momentos, merecias que eu dissesse tudo aquilo que eu sentia por ti sem vergonha, às claras, sem medo - quem ama desta maneira é um covarde que não merece mais nada do que a solidão eterna. Quem não diz aquilo que sente pelo outro perde uma oportunidade de fazer feliz o outro e vice versa . Oportunidades destas não acontecem por acaso, tem um sentido, tem uma razão de ser, tem um significado.
O amor é isto mesmo, é ligar, um elemento ao outro, fisico ou não, mas tem de haver sempre um elo, uma conexão, duas mãos dadas.
- Como sabes que eu gosto de ti?! não sabes?! Perguntas-me de novo.
- Porque sorris para mim, e isso já é um bom sinal... Respondi.
- Eu sorrio para o vizinho todos os dias...gosto dele também portanto?! Disseste.
Eu fiquei chateado com aquela tua observação, mesmo, mas tive de disfarçar com um sorriso daqueles bem amarelado para tu não desconfiares. Como sempre fiquei por momentos a pensar numa boa resposta para te dar. Tu és daquelas mulheres que precisas de saber sempre o chão em que pisas.
Eu sabia que tu necessitavas de ter uma boa resposta às tuas perguntas, era assim sempre, eram as tuas certezas para as tuas dúvidas, era a maneira de saberes o que estava acontecer dentro de mim.
Tu já sabias as minhas respostas, bastava para isso olhar para mim, eu sou de fácil leitura, tu não, pelo menos para mim, naquela altura. Afinal, não era assim tão díficil...
Hoje, tudo é mais claro, tudo é mais sabido, verdadeiro, não exitem àguas turvas, a alma não tem impedimentos, a honestidade da minha razão está muito acima do meu próprio eu .
A vida continua, o relógio não pára, e os segundos batidos agora mesmo não fizeram mais do que história nestas palavras escritas, e nada mais do que isso...tempo, lógica, razão e consciência.
- Amas-me ?! perguntas-me.
- Não! Respondi-te
- Mentiroso! Disseste.
- De que maneira?! Perguntáste-me.
- Amo-te...simplesmente. Respondi.
- Sim...mas como me amas?! Perguntáste-me de novo.
Eu fiquei ali a pensar numa maneira "util" de te dizer a melhor maneira de como te amava.
Tu esperavas a minha resposta com esses teus olhos lindos, claros, fazedores de sonhos- tu descontrolávas-me de tal forma, as palavras não saíam, os significados eram silenciados pela tua presença. Tu desencadeavas revoluções dentro de mim, apetecia-me bater-te, encostar a uma parede e beijar-te até perderes o folego. Nunca fiz isso, com pena minha, mas avontade ficou e ainda vide dentro de mim essa imagem selvagem entre eu e tu.
- Então? Pergutaste.
- O que queres que eu te diga?! gosto de ti ...pronto!
- Gostas?! ou amas-me...é que são coisas tão diferentes. Disseste.
- Sim...é verdade! tens razão. Eu amo-te, muito! Respondi.
- Não precisas do "muito" para nada, saber que me amas é-me suficiente.
Continuámos na nossa lenga lenga como se uma batalha se tratasse, sim, porque eu levo estes assuntos muito a sério. Sempre...
Eu agarrei a tua mão e tu apertaste-a com os teus dedos entre os meus, arrepiei-me de felicidade, e eu não conseguia transmitir isso. Revoltei-me por momentos, merecias que eu dissesse tudo aquilo que eu sentia por ti sem vergonha, às claras, sem medo - quem ama desta maneira é um covarde que não merece mais nada do que a solidão eterna. Quem não diz aquilo que sente pelo outro perde uma oportunidade de fazer feliz o outro e vice versa . Oportunidades destas não acontecem por acaso, tem um sentido, tem uma razão de ser, tem um significado.
O amor é isto mesmo, é ligar, um elemento ao outro, fisico ou não, mas tem de haver sempre um elo, uma conexão, duas mãos dadas.
- Como sabes que eu gosto de ti?! não sabes?! Perguntas-me de novo.
- Porque sorris para mim, e isso já é um bom sinal... Respondi.
- Eu sorrio para o vizinho todos os dias...gosto dele também portanto?! Disseste.
Eu fiquei chateado com aquela tua observação, mesmo, mas tive de disfarçar com um sorriso daqueles bem amarelado para tu não desconfiares. Como sempre fiquei por momentos a pensar numa boa resposta para te dar. Tu és daquelas mulheres que precisas de saber sempre o chão em que pisas.
Eu sabia que tu necessitavas de ter uma boa resposta às tuas perguntas, era assim sempre, eram as tuas certezas para as tuas dúvidas, era a maneira de saberes o que estava acontecer dentro de mim.
Tu já sabias as minhas respostas, bastava para isso olhar para mim, eu sou de fácil leitura, tu não, pelo menos para mim, naquela altura. Afinal, não era assim tão díficil...
Hoje, tudo é mais claro, tudo é mais sabido, verdadeiro, não exitem àguas turvas, a alma não tem impedimentos, a honestidade da minha razão está muito acima do meu próprio eu .
A vida continua, o relógio não pára, e os segundos batidos agora mesmo não fizeram mais do que história nestas palavras escritas, e nada mais do que isso...tempo, lógica, razão e consciência.
- Amas-me ?! perguntas-me.
- Não! Respondi-te
- Mentiroso! Disseste.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
domingo, 19 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
dia 15 de Fevereiro, dia dos namorados
Eu não sou a melhor pessoa para falar sobre o dia de ontem, porque, simplesmente, um dia depois, tudo já foi esquecido, e quem sabe não há aquela azafama em casa, um arranjo na mesa, um vestido especial, ou o que quer que seja.
Eu , como outros tantos homens na mesma situação, somos apelidados de encalhados .
Nós os encalhados, não temos ninguém, nem uma misera amante conseguimos arranjar - as razões serão sempre diferentes uns dos outros, eu cá tenho a minha.
A minha situação, confesso, é demasiadamente penosa, mas de alguma forma feliz, porque eu em tempos tive o privilégio de conhecer o que era isso de amor , gostar de alguem, pensar nela todas as horas, noites mal dormidas - tudo por culpa do tal "amor". O amor, não se explica, sente-se, e eu senti-o! e é bom!!!muito bom!!!
Confesso que também o desafiei, isto é, saber valer da minha vontade em superiorizar-me ao sentimento , e o resultado foi catastrófico a nivel do interior. Custa, dói, demora anos a passar a sarar, a coisa vai seguindo mais ou menos...mas nada é como dantes.
Agora, e devido a isso tudo, eu tenho medo! sim, tenho medo! porque simplesmente se eu não consegui amar aquela que ainda é hoje a mulher da minha vida, como seria com outra?!
Assim, e posto nestes termos, prefiro ficar quieto, não quero magoar-me outra vez, não quero passar pelo mesmo inferno, não quero e nem preciso colocar alguem em ponto de infelicidade.
Confesso que me faz falta ter alguém, alguém com quem partilhar, sair, deambular, construir algo junto, mas, quis o destino que assim ditasse o meu presente e provavelmente o meu futuro.
Eu sou e serei sempre o responsável pelos meus actos, assumo os erros, corrijo-os, concluo sobre os factos. O martelo do juíz bateu na mesa...O amor vence sempre!
Para quem tem mulher, para quem tem marido, feliz dia dos namorados, hoje dia 15 de Fevereiro, porque quem ama de verdade ama todos os dias e não somente no dia 14.
E isso eu sei, porque tenho experiência!
Eu , como outros tantos homens na mesma situação, somos apelidados de encalhados .
Nós os encalhados, não temos ninguém, nem uma misera amante conseguimos arranjar - as razões serão sempre diferentes uns dos outros, eu cá tenho a minha.
A minha situação, confesso, é demasiadamente penosa, mas de alguma forma feliz, porque eu em tempos tive o privilégio de conhecer o que era isso de amor , gostar de alguem, pensar nela todas as horas, noites mal dormidas - tudo por culpa do tal "amor". O amor, não se explica, sente-se, e eu senti-o! e é bom!!!muito bom!!!
Confesso que também o desafiei, isto é, saber valer da minha vontade em superiorizar-me ao sentimento , e o resultado foi catastrófico a nivel do interior. Custa, dói, demora anos a passar a sarar, a coisa vai seguindo mais ou menos...mas nada é como dantes.
Agora, e devido a isso tudo, eu tenho medo! sim, tenho medo! porque simplesmente se eu não consegui amar aquela que ainda é hoje a mulher da minha vida, como seria com outra?!
Assim, e posto nestes termos, prefiro ficar quieto, não quero magoar-me outra vez, não quero passar pelo mesmo inferno, não quero e nem preciso colocar alguem em ponto de infelicidade.
Confesso que me faz falta ter alguém, alguém com quem partilhar, sair, deambular, construir algo junto, mas, quis o destino que assim ditasse o meu presente e provavelmente o meu futuro.
Eu sou e serei sempre o responsável pelos meus actos, assumo os erros, corrijo-os, concluo sobre os factos. O martelo do juíz bateu na mesa...O amor vence sempre!
Para quem tem mulher, para quem tem marido, feliz dia dos namorados, hoje dia 15 de Fevereiro, porque quem ama de verdade ama todos os dias e não somente no dia 14.
E isso eu sei, porque tenho experiência!
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