domingo, 13 de novembro de 2016
domingo, 6 de novembro de 2016
saltar
Dei um pulo, depois outro, e mais outro...quando abri os olhos estava aqui, parei, olhei em volta, vi o que tinha, o que não tinha, o que eu deixei, aquilo que eu ganhei.
Em absoluto, nós não somos donos de nada, porque tudo muda tão rapidamente que nem temos essa noção...um ano parece um mundo infinito de acontecimentos, parece, mas não o é.
Agora que atravesso a rua, numa passadeira, com sinal verde para os peões e cruzo-me com desconhecidos que não olham para lado nenhum. É tudo tão mecânico, tão frio, tão abstrato.
Sentei-me no Oldpub, e pedi um expresso...fechei os olhos, e tudo parecia estar tão bem, pelo menos neste pedacinho espaço de tempo, é melhor agarrar-me a ele, porque é sempre (tão) fantástico agarrarmos às coisas pequenas quando elas são tão boas.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Novembro rain...
Chegámos a Novembro, este é o meu mês, dia 7, faltam
6 dias para fazer 45 anos.
Não tenho vergonha de dizer a minha idade,
sinto-me bem com esta idade, independentemente das vicissitudes que dela
ocorreram.
Quando olho para a minha vida de uma maneira
independente, sem rodeios, nem falsas pretensões, do que quer que seja, posso
dizer que tudo me aconteceu, do melhor ao pior e eu nem dei por isso – porque aconteceu!
Nunca liguei ao futuro, quando eu olho para o
amanhã eu já lá estou e não dou por isso, nunca tive uma meta, estou bastante
tranquilo. As coisas acontecem-me…Deus tem sido para mim um fiel protector, e
um santo, para me aturar nos pedidos
mais “estranhos” que eu faço.
Quando eu tentei fazer planos eles saíam pela
porta ao lado e percebi que a melhor maneira de viver a vida era que “ela”
simplesmente acontecesse – bom ou mau vai aparecer sempre qualquer coisa – Deus
queira que seja melhor que pior. E no dia que “ele” entender que eu já não
estou cá a fazer nada, que o meu papel já acabou, que sim…que me leve.
Não tenho medo de perder a memória, o balanço que
eu faço das coisas que eu fiz por inteiro foram feitas segundo a minha vontade
e decisão, sobretudo aquelas em que me afastei contra a minha vontade, de mim
próprio e que em algumas situações me prejudiquei para que outros ficassem
melhor- assim fiz, para que outros, não interessa quem, aqui e agora, mas fiz
pelos outros e prejudiquei-me por isso – mas fiz conscientemente que perdia
alguma coisa.
Sei que não fui fiel a mim próprio, e isso é
irreprimível, desafiei o sentimento mais poderoso do universo, julgando que,
“eu” todo-poderoso podia de alguma forma ganhar esse combate…perdi-o,
miseravelmente. O amor não se combate…Nunca! Há coisas que os olhos dizem, mas
nós podemos contrariar através de palavras, eu fiz isso, e dei-me muito mal.
Eu tive a sorte, a felicidade, a oportunidade de
uma vida, de conhecer o ser mais maravilhoso num espaço de tempo nestes 45
anos. Foi a sua benevolência, a sua
maneira de ser(tanto de bom como de mau), a sua maneira de ver o mundo – de o perspectivar, de olhar para
mim olhos nos olhos e obrigar-me ao exercício do conceito “viver” por um outro
lado, aquele que eu desconhecia, e que hoje permite-me nesta vida que eu tenho,
fazer as minhas escolhas, de uma forma “criteriosa”, consertada, sem medos, sem
rodeios.
Presentemente, estou melhor, estou afinado, em
todo os sentidos – mas sinto que começo a ficar mais frio em relação a certas
situações que dantes não acontecia. Sinto que já tenho os meus limites, não
tenho pachorra para certas situações – por exemplo a falta de caracter, da
consciência de que se é um bandalho da vida, da falta de moral – isso
repugna-me!
Tento ser melhor todos os dias, tolerante,
bondoso com quem me rodeia, cauteloso, quero deixar a minha marca, e alguma
coisa de positivo que se possa recordar quando eu partir.
Que alguém diga que eu fui por momentos um gajo porreiro!
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
sabores daqui, onde tudo é estranho, e com muito picante
Sopa de um não sei quê! rissóis doces que se comem com a dita sopa ???!!! Jazus... ah mas tem de se mergulhar num creme tipo maionese (com sabor a vinagre - coisa estranaha) !!!
Um panado de peixe fumado...estava bom, mas tinha picante a mais!!! Jazus...!!!
Cerveja artesanal (dizem eles!!!) mas até é bom ...o pão, sim! uma maravilha!!! é o que eles tem aqui de melhor! fiquei surpreendido!!! Batata frita serão sempre batatas fritas...mas estes gajos metem alho fresco por cima e uma erva aqui de uns campos que eu não sei pronunciar!!!
Eh pá...eu gosto de experimentar coisas novas! mas é picante a mais.
Bom feriado...eu?! eu vou trabalhar...
sábado, 29 de outubro de 2016
tinha chegado o dia
Era um sitio que eu ambicionava visitar, não pela beleza mas pelo facto histórico.
Queria sentir o que muitos dizem quando regressam de novo a casa, e assim é, e assim aconteceu.
Estou em Auschwitz.
De onde vivo até ao "memorial" são duas horas e meia em auto estrada, vim com duas colegas de trabalho, uma argentina e outra americana.
A foto do post deve ser igual a milhares que são tiradas neste local, da mesma posição, para que seja gravado ou filmado a famosa frase em alemão : o trabalho liberta .
Aquilo é enorme, demasiado grande - entramos por ali fora ouvindo a explicação de um guia na lingua nacional o que não deu jeito nenhum, e decidimos fazer por nós próprios o roteiro à nossa medida.
Colocar o que eu vi em palavras é muito difícil, não sei se é a palavra certa, mas sim dificil...pelo que vemos, o que imaginamos e é simplesmente horroroso...
Eu sei o que é tijolo refratário, e ver rasgos naquelas paredes, próximas de janelas, feitas com esse tipo de material com as unhas de humanos aflitas pelo gás dá uma dimensão horrorifica.
Os valados, as pilhas de lenhas, o arame farpado, as torres de vigia, as paredes vermelhas com dizeres das SS, e as madeiras, aquelas que resistiram ao tempo, testemunhas de um momento muito pouco digno a qualquer ser humano.
As minhas colegas a meio do percurso não resistiram e voltaram para trás, eu continuei, queria ver uma coisa que algures eu tinha lido...mas não consegui ver. Os "crematórios estavam fechados e só deu para ver do lado de fora os fornos onde se queimavam os mortos e os vivos.
Havia um espaço, atrás do refeitório dos soldados alemães, em que eram colocados os restos e os dejetos ...e era ali que muitos comiam, qual lavagem de porcos. Continuei devagar, e depois, e depois há um cheiro estranho naquele espaço...não sei explicar, o coração palpita, de sensações tão negativas...dá a sensação que é um espaço com almas presas, voltei para trás porque já não queria ver mais. Apanhei a minha companhia e partimos para um café para tomar chá.
Está frio, e a cidade é tão bonita. Tenho a sensação que aqui, é um sitio onde só se visita uma vez na vida. Eu pelo menos assim tenciono...
Fica a visita, fica esta experiência...
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