sábado, 16 de julho de 2016

e por tudo mais...

Galgada a estrada por entre árvores que me conhecem e curvas que me são gentis, ao olhar-te, a minha alma desenha-se em imagens de cores subtis, mostrando-me a emoção na pequena baía adornada de azuis simples e mediterrânicos, a igreja de uma forma esquisita, é o centro, e tudo o resto são sonhos.
Chego sozinho, não se vê vivalma, o calor é tórrido, e o suor corre-me em bica, as aves, as mais velhas esvoaçam em sinal de prenúncio do que me pode acontecer aqui, e aqui acontece-me sempre alguma coisa que guardo para a vida.
Este vento enfeitado de Verão, deixa todos os aromas suavemente nos meus lábios como se fossem os teus dedos, moldados.
Viro-me por aqui e por ali, revejo-me em todos os sítios onde pisamos a dois, a essência está aqui, o resto é que não - e por tudo mais, esta água, o silêncio do vazio de um dia quente de Verão.

sábado, 9 de julho de 2016

de regresso...

Estava um calor intenso...o visor indicava 34,5 º  e eram quase 19:00 !!!
Se há um ponto na minha "rota"  que eu adoro cruzar é uma aldeia que separa os dois concelhos, entre a ponte do Zêzere, próximo do Lago Azul.
Para a semana que vem vou mudar-me de armas e bagagens, é distância a mais por dia.
Arranjei uma casa para mim, pequena,tão pequenina, feita de pedra, lajes a decorar de cor branca, parapeito tipicamente beirão - tão tradicional para estes lados, foi feita à minha imagem - a paisagem é idílica, abri a "janela" naquele dia, e, na primeira vez que os proprietários a foram mostrar, só tive tempo de dizer:
Fico com ela!
 Aqui, estou longe de tudo e tão próximo do resto. Ter paz tranquiliza-me, fico mais calmo, esqueço melhor as coisas, tudo...efeito aspirina. Deve ser.
As minhas caminhadas, os meus passeios, eu... descobrir isto aqui!!!  - Preciso de um barco!!! mesmo velho! vai ser interessante. Estarei a pedir demais?!
Quem diria... eu aqui, Jazus!!!

domingo, 3 de julho de 2016

por aí, a crescer.

Hoje andei por aí, fui ver o mar,comer um peixinho, uma salada de tomate, uma batata cozida.
Um lauto almoço, caro demais, mas bom.
Fui passear pelo areal húmido da praia, calor qb, e água gelada da costa também fria qb.
O malote está já preparado, amanhã parto com destino a Toulouse, 3 dias, em trabalho...gosto.
Não consigo estar acomodado, parece que tenho bichos carpinteiros , apesar de estar a abrandar, confesso, deve ser da idade, abrandar não em termos de velocidade de fazer as coisas , mas abrandar, no sentido real da coisa. Parar, antigamente eu não parava...é estranho eu parar o motor do carro e sair para cheirar uma flor que desconheço, tirar uma foto de telemóvel, abrandar para ver uma plantação a nascer. Tudo cresce, tudo se desenvolve, há um movimento normal na vida, gosto de ver a  mudança.
Eu também, curiosamente.



sábado, 25 de junho de 2016

consciente

Cheguei até aqui, bem ou mal, fiz aquilo que a consciência ditou.
Já paguei por certos danos, outros há que nunca se apagarão, outros vão-se diluindo aos poucos.
Cheguei pelo menos a um ponto...
Eu estou numa fase da minha vida onde não sinto mais a necessidade de impressionar ninguém, pelo meu feitio, pelas minhas atitudes, modo de encarar a vida, pelas minhas vitórias, etc.
Se não gostarem de mim assim, pouco me importa. Não vivo obcecado com isso.
Somos criticados por tudo e por nada, por coisas mesmo de nada, isso impressiona-me pela negativa.
Vou dar o meu exemplo . O meu divórcio fez alterar as minhas rotinas, o modo de vida, a minha maneira de ver as coisas e alguma realidade, e tudo um pouco...
Fui e vou equilibrando a coisa.
A maioria dos homens e das mulheres divorciados (as) que eu conheço e dos quais são conhecidos ou amigos "recomeçaram" de novo com novos parceiros. Acho bem, muito bem...a vida tem de continuar.
Aquilo que eu não gosto, é a necessidade recorrente de me dizerem que eu devia seguir o mesmo caminho, que não devia estar só, de ficar para trás, devia de arranjar uma companheira, "esposa", ou outras tais com o mesmo significado.
Bom eu tenho consciência própria e motivos mais que dignificantes e honrados para estar só e assim espero continuar, a menos que aconteça uma única coisa.
Eu tenho que elevar a "fasquia" ou encontrar alguém com a bitola que eu pretendo.
Se num momento da minha vida eu conheci, a tal , aquilo que nós designamos de "mulher da nossa vida"  e não deu certo, porque tenho eu de correr atrás do que não é certo e voltar a acontecer o mesmo?!
Não seria honesto comigo mesmo, nem com o outro ser.
Mesmo assim, com estas vicissitudes todas, considero-me um privilegiado pela vida, não é aquela que eu queria ter ou planeava, mas aos poucos, com calma, tranquilidade, vou aproveitando os bons ventos.
E isso é bom...tão bom, mesmo estando sozinho.




Por agora, os dias são assim.

O calor destes dias vai moldando esta paisagem, bonita, muito bonita.
Está tudo seco, e o amarelo é a cor do campo... é mesmo tempo dos tons amarelados.
Curva e contra curva, é assim o trajeto para o meu trabalho, aproveito de uma maneira sã para vislumbrar o que muitas pessoas não podem fazer...aqui, tudo é lindo, até os lagartos que se atravessam  sadomasoquistamente à frente do meu carro. São doidos!!! Antes eu não parava, hoje travo, por vezes saio, e vou espiar, encontro cada coisa...e aproveito para olhar esta paisagem, Deus queira que se mantenha assim, os incêndios aqui são uma constante.
No verão passado perdi a fobia às cobras, consigo agarra-las à mão, elas não fazem mal, estão é amaldiçoadas biblicamente, as bichinhas fazem falta.
Cruzo-me com ginetos, javalis, raposas, aves de rapina, coelhos,doninhas, ratos...pessoas é que não, os meus horários são muito diurnos e as tardes de regresso a casa também.
Passo por casas abandonadas, em xisto, material abundante aqui nestas serras.Gostava de ter uma dessas para mim, para restaurar, com telha meia-cana à moda antiga e alpendre de madeira, virado para o rio...um banco de madeira com almofadas feitas à mão. Um bom copo de vinho e um chouriço caseiro grelhado em brasa.Ver as tardes a terminarem, e aproveitar o calor da noite, ouvindo os sons mais puros da vida, os da vida.


um dia, como outro qualquer.

Por um motivo qualquer o teu abraço foi mais forte daquele habitual.
Eu agarrei-te da maneira possível, e olhei para ti enquanto tu vertias uma lágrima.
Escorria pelo teu rosto abaixo, eu estanquei-a no seu caminho.
Levei o meu dedo umedecido até à minha boca. E disse.
- Até o sal da tua lagrima é doce!
E tu abraçaste-me ainda com mais força e deste-me um sorriso comprido de orelha a orelha.
Eu fiquei sem jeito...
E ali, naquela Mata imensa, que tu frequentas tantas vezes, demos as mãos e continuamos a nossa caminhada, a nossa conversa, longa, como um entardecer de um tipico dia de Verão.
Tu és assim, ensinaste-me o conceito do ser simples, dos afetos sem troco, afinal, eu menino mimado estava habituado a receber mais do que dava, e pensava que era normal...mas não.
Hoje faço aquilo que tu me ensinaste, e sinto-me bem! tão bem...
Obrigado!!!

domingo, 5 de junho de 2016

um dia a mais, ninguém repara.

Mais um dia, mais uma semana, mais um mês...e assim continua. Isto é o destino? Karma? ou outro ismo qualquer? não sei...
Sei que é mais um dia, ninguém repara nisso, pelo menos ninguém pergunta nada. Devo disfarçar muito bem, devia ser ator. No Cinema iria receber um "Óscar" pela minha performance.
Olhas para mim, e eu fico sem reação, tu és assim, tens essa forma de ser, letal sobre mim...fico à tua mercê.
Isto é o quê?! e continuo a olhar parvo para ti, e dou por mim morto, mas de felicidade...morto de felicidade, ninguém tem uma sorte como eu. És tu, tu és assim. Eu gosto.